Retomando a nossa sessão de entrevistas com personalidades femininas – e blogueiras – de Santos, trouxe uma grande novidade. Um papo ótimo com a jornalista Flávia Durante. Paulistana de nascença e santista de coração, Flávia também é dj e atualmente também trabalha como editora dos sites da Trip e Tpm.
Já trabalhou para lugares como Agência Estado, Enseada FM (extinta rádio de Santos), gravadoras como a Trama e a EMI e para bandas como CSS e Bonde do Rolê, entre outras. Como editora de mídias sociais, ela já desenvolveu trabalhos para filmes como “Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei”, “Tropa de Elite 2”, para as turnês de Franz Ferdinand e Black Eyed Peas e para o site Vírgula. Produziu o tributo virtual “Tudo de Novo – Tributo ao Ronnie Von”, uma homenagem ao período psicodélico do cantor brasileiro, com 30 bandas de todo o Brasil fazendo versões de suas músicas. Como dj, Flávia tocou em várias casas noturnas de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás e produziu as noites Popscene, Soul Glow, Tuba Libre e Make Me Up. Ufa! Ela não é fraca não, gente, tem muita história pra contar! 
Durante a entrevista ela se revelou uma pessoa muito agradável, simpática e divertida. Além de dar ótimas dicas de site e até mesmo para quem quiser crescer na carreira. Vamos conhecer a Flávia melhor? Simbora!

Você nasceu em São Paulo mas foi criada em Santos. Como foi sua vida aqui?

Nasci em São Paulo porque na época minha mãe trabalhava aqui como Polícia Militar. Mas por ter nascido em Sampa e morar aqui há mais de 10 anos, me considero santista. Quando perguntam de onde sou digo que sou de Santos, pois passei minha infância e adolescência toda aí.

Você sempre teve interesse pelo jornalismo? Sua meta profissional sempre foi essa ou as coisas foram acontecendo?

Sempre gostei de jornalismo, cinema e música. Tinha mania de fazer jornalzinho no prédio e na escola, hehe. Minha segunda opção, se não tivesse entrado na faculdade logo de cara, era tentar fazer faculdade de cinema em São Paulo. Mas acabei ficando em Santos mesmo e me formei na Facos em 1997.

Seu currículo é vasto e você, como praticamente uma santista, é um modelo para os aspirantes a profissionais de comunicação hoje. Como foi o processo?

Pra mim não veio nada de mão beijada, pois minha família não é abastada e tudo veio com muito esforço. Minha porta de entrada em São Paulo foi o curso de focas do Estadão, no qual consegui passar depois que me formei. Tive que sair de um emprego fixo em um jornal no Guarujá, pegar um dinheiro emprestado de lá e de cá para poder passar três meses morando na capital só fazendo o curso. Mas foi a partir dele que consegui meus primeiros trabalhos em São Paulo. Para quem é estudante de jornalismo, vale a pena tentar entrar nos cursos de trainees do Estadão, Folha e Abril.

Fiz de tudo um pouco, até ver no que eu me dava melhor.Trabalhei como diagramadora, redatora de rádio, redatora de economia, redigi notícias para pager (cof, cof, agora entreguei a idade, rs) e muito anos como assessora de imprensa autônoma, prestando serviço para bandas e gravadoras independentes. Estava muito contente nessa área, mas estava querendo mais estabilidade e voltei a ser jornalista de redação em 2009, quando aceitei o convite para trabalhar no portal Vírgula como editora de Lifestyle. Depois saí, porque recebi um convite para ser editora dos sites da Trip e da Tpm, onde estou agora, muito feliz!

Hoje em dia é muito difícil ser uma coisa só. Não só por questões financeiras, mas porque o mundo é muito mais movimentado, com mais informações e a gente não consegue ficar parado. Paralelamente ao jornalismo sempre organizei shows, festas e festivais em Santos e São Paulo e também discoteco, o que acabou virando minha segunda profissão. Em vez de perder o sono fazendo freelas de jornalismo, prefiro ganhar um dinheirinho extra me divertindo ao mesmo tempo! 

Por conta de tudo isso, existe algum sonho na carreira ainda não realizado?

Na carreira já fiz várias coisas das quais tenho orgulho, mas na vida pessoal ainda tenho muitos a realizar, como morar um tempo no exterior. Quem não pensa nisso, né? No futuro também penso em fazer um documentário sobre música, mas ainda não coloquei as mãos na massa.

Você atualmente é um nome de referência quando se fala em blogs e em música, entre outras coisas. O que você costuma ler na web? Quais são seus favoritos na internet?

Comecei a mexer com internet em 1998, na Biblioteca Municipal de Santos, que a gente pagava por hora, veja só! rs

Tenho blog desde 2000, o Blah Blah Blog e o Twitter desde o comecinho da ferramenta, em 2006 (@flaviadurante). Através da internet fiz vários amigos, conheci muita música, divulguei meus trabalhos, consegui oportunidades, fiz dela uma fonte de prazer, conhecimento e de renda.

Um dos meus blogs favoritos é o Coletivo Action, de uma turma aí de Santos,é um blog sobre música negra;

Sempre visito o Don’t Skip, de música pop;
Também gosto do blog sobre revistas Das Bancas;
E do blog-fórum de fofocas Oh No They Didn’t .

De todos os seus trabalhos, você destacaria alguns que marcaram sua vida, ou que você gostou muito de fazer?

Como assessora de imprensa na área de música tive a oportunidade de trabalhar com artistas que admiro, como o Arcade Fire, Teenage Fanclub, Cansei de Ser Sexy, Marcos Valle, Cidadão Instigado, Curumin…

Com social media, gostei muito de fazer a divulgação de internet do documentário “Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei” e do filme “Nome Próprio”, baseado nos livros da Clara Averbuck. Foram meus dois
primeiros trabalhos com cinema, área da qual eu sempre gostei.

E em relação a shows? Suspeitamos que você é um pouco tiete… quem você mais gostou de conhecer? E qual foi o show inesquecível? Bandas, artistas favoritos, conta também… manda ver!

Sou muito, não nego! Na infância e adolescência fui muito tímida, então compenso agora, haha. Tive sorte pois vários artistas dos quais sou fã também são extremamente gentis, então o amor cresceu ainda mais! Gostei muito de conhecer o Franz Ferdinand, o Teenage Fanclub, o Mark Ronson e o Pharrell Williams.

Sobre os shows, se quiser tem uma listinha aqui.

 Flávia com Alex Kapranos, vocalista do Franz ferdinand
Que dicas você dá para quem está começando na profissão e quer ir longe, deseja se tornar um diferencial?

Os estudantes de jornalismo e os recém-formados têm que se arriscar em várias áreas para ver nas quais se adaptam melhor. Por exemplo, muitos sonham com o jornalismo diário mas na prática não aguentam o pique. Não tenha medo quando receber propostas para mudar de emprego, de cidade e arriscar tudo, principalmente enquanto você não é casado ou não tem filhos e tem mais liberdade para fazer o que tem vontade!

O jornalista hoje em dia tem que ser um pouco marketeiro e saber vender o seu próprio trabalho. Não dá pra esperar que alguém vá te descobrir em casa. Abra um blog, publique todas as suas matérias lá
desde a faculdade, faça resenhas de filmes, shows, aumente sua presença virtual! Tem que saber fazer sua própria rede de contatos (networking), frequentando cursos, participando de comunidades e
listas de discussão, trazendo jornalistas interessantes pra dar palestras em sua faculdade… Só não faça spam e não seja puxa-saco!

O que você mais gosta em Santos? O que está faltando na noite santista?

Desde que parei de fazer a Popscene em Santos, em 2008, não tenho frequentado muito a noite santista, até porque atualmente minha mãe mora no Guarujá. Mas nos feriados ou finais de semana em que dou um pulo em Santos fico um pouco triste, pois poderia rolar muito mais movimentação. Quem gosta de sons mais diferentes acaba vindo curtir a noite de São Paulo, sempre encontro vários santistas por aqui. Vivi uma época muito boa em Santos, os anos 90, na qual existiam várias casas noturnas, rolavam muitos shows e festivais, mas hoje pelo que vejo está meio estagnado, com iniciativas isoladas acontecendo, como as festas do Futuráfrica.

E apesar de ter morado boa parte da vida na Aparecida, o que mais gosto em Santos é da Ponta da Praia. Aquela visão da entrada do Canal do Estuário, próximo à Fortaleza da Barra, me tira o fôlego todas as vezes em que passo por lá, é muito bonito!